sábado, 5 de fevereiro de 2011

A TRAGÉDIA NO RIO E A REFORMA DA TERRA

Abaixo um texto de Marisa Choguill, o qual recebi por email de um amigo. Como achei o texto muito pertinente, resolvi disponibilizá-lo aqui, e por fim fiz alguns comentários pessoais as já ricas colocações da ilustre Dr Choguill. Convido-o a ler o texto e fazer suas ponderações no espaço para comentários.
 
A TRAGÉDIA NO RIO E A REFORMA DA TERRA
Marisa Choguill*

Tratar seriamente da tragédia dos deslizamentos de terra no Rio implica em tratar da necessidade de reforma da terra no Brasil como solução para o problema dos assentamentos urbanos em zonas de alto risco. Esta não foi a primeira vez que tal tragédia aconteceu, e não será a última se medidas urgentes e efetivas não forem tomadas.


Aqueles que habitam zonas de risco por falta de outra opção pela qual possam pagar são sempre vítimas de desastres, como aconteceu nos recentes desabamentos de terra no Rio. Os ocupantes dessas zonas sabem do perigo que correm, mas não têm outra escolha. Somente uma política redistributiva da renda, incluindo a reforma da terra, poderia mudar essa situação.


O Rio é famoso por suas enchentes e deslizamentos de terra (1). Sua topografia irregular está associada a zonas de risco, isto é, zonas inadequadas para habitação por se situarem em áreas sujeitas a deslizamentos de terra, enchentes e outros desastres naturais. Assentamentos em zonas inadequadas ocorrem também nas áreas rurais, ladeando rios e mangues, ou em escarpas. Um sistema de prevenção de desastres em zonas de risco, como o proposto pelo governo federal, seria uma medida meramente paliativa. Poderia salvar vidas, mas as moradias dos habitantes mais pobres continuariam a ser destruídas.


Se, como informa o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, existem "500 áreas de risco no país, com cerca de 5 milhões de pessoas morando nessas áreas, e outras 300 regiões sujeitas a inundações"(2), a escala do problema é enorme e exige uma solução radical, efetiva, não apenas uma medida paliativa.


Contudo, uma solução efetiva, neste caso, é necessariamente complexa; há muito a considerar se olharmos para outros aspectos do problema, como a estrutura da produção e da distribuição da renda no país, que resultam na expansão das metrópoles e no esvaziamento do campo.


Em outras palavras, não se trata apenas de fazer reforma urbana; é preciso considerar também a baixa renda da grande maioria dos atingidos por essa tragédia – razão principal pela qual ocupam (ou ocupavam) zonas de risco. A reforma urbana em si talvez pudesse ajudar a realocá-los, mas, não podendo atender a todas as necessidades de locação, não lhes garantiria emprego ou renda adequada.
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Solidariedade ao povo da Venezuela reúne 400 pessoas em manifestação em Aracaju



Por Thalles Gomes
de Aracaju/SE
Da Página do MST


Mais de 400 pessoas lotaram o auditório do IFS (Instituto Federal de Sergipe), na tarde desta terça-feira (2/2) para prestar sua solidariedade ao povo venezuelano.
O ato, que contou com a presença do Embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilian Sánchez (na foto), fez parte das comemorações dos doze anos do processo revolucionário bolivariano, quando Hugo Chávez Frias tomou posse como presidente da república daquele país em 1999.
"Há exatos 12 anos começamos a resgatar a dignidade da Venezuela. Eliminamos todo o analfabetismo e incentivamos um amplo processo de reformas e de participação popular. Houve tentativas de golpe da direita, boicote petrolífero e ataques do imperialismo, mas resistimos e avançamos, porque temos o povo à frente de todo o processo", afirmou o embaixador venezuelano.
Além de Sánchez, estavam presentes representantes do governo sergipano, centrais sindicais, movimentos de luta pela moradia, estudantes secundaristas e universitários, além dos movimentos que compõem a Via Campesina Brasil - responsável pela organização do ato.
"Por que um ato em solidariedade ao povo venezuelano?", indagou Alexandre Conceição, coordenador da Brigada Internacionalista do Via Campesina na Venezuela. "Porque ao eleger Chávez, que foi o primeiro presidente a aplicar uma plataforma de governo claramente anti-neoliberal, o povo venezuelano mudou os rumos da trajetória da América Latina e abriu as portas para que os povos de outros países do continente elegessem governos progressistas. A partir do exemplo venezuelano, nós nos tornamos menos regionalistas, menos nacionalistas e mais latino-americanos", concluiu Alexandre.
João Daniel, militante do MST recém empossado deputado estadual de Sergipe, ressaltou que mesmo o menor estado da federação também possui trabalhadores solidários à causa bolivariana e sempre "alertas para defender a construção do sonho da Pátria Grande, de uma América Latina forte e nas mãos da classe trabalhadora".
A jovem Nerivânia, militante do MST/SE, entregou ao embaixador Maximiliam Sánchez uma bandeira do MST como forma de reafirmar o compromisso de solidariedade entre os movimentos sociais brasileiros e o povo venezuelano.
Nerivânia é filha de trabalhadores rurais Sem Terra, formada em agronomia e mestranda em Agroecologia na Venezuela, por meio de uma parceria entre o governo daquele país e a Via Campesina Brasil.
O ato teve transmissão ao vivo para toda a América Latina por meio da Telesur, mais uma iniciativa do processo bolivariano para democratizar o acesso à comunicação no continente, e foi acompanhado pelo presidente Hugo Chávez.
Desde a Venezuela, Chávez não deve ter escondido sua satisfação ao escutar o coro final das centanas de trabalhadores e trabalhadoras em Aracaju: "Adeus, adeus, adeus imperialista, a América Latina vai ser toda socialista!"
(Fotos: Ronaldo Sales)

Obesas são vetadas em concurso para professor

"O médico perguntou se eu sabia que ser obesa era causa de reprovação no concurso", revela professora.
* Por Folha de S. Paulo

Dando aulas de educação física há oito anos no Estado, Kátia Ramires, 29, afirma que também foi barrada no concurso para contratação de professores da rede estadual de SP por ser obesa. Assim como ela, outras cinco mulheres já haviam revelado terem sido vetadas por causa do peso. Todas já haviam sido aprovadas em duas provas e feito um curso de formação de professores. Elas foram consideradas "inaptas" pelo Departamento de Perícias Médicas de SP.

As professoras afirmam que seus exames estavam normais e duas delas dizem ter ouvido do médico que realizou a perícia que provavelmente seriam reprovadas por causa do peso. Kátia e outro professor, também "inapto", dizem ter ouvido o mesmo do médico.

Kátia é professora de educação física da rede há oito anos. Trabalha como professora contratada (sem concurso). Ela também dá aulas na Prefeitura desde o ano passado, onde foi aprovada em concurso e passou "ilesa" pela perícia médica. Ela já era obesa mórbida e diz que o peso não a prejudica em nada na realização das atividades. Leia a entrevista:

A obesidade afeta seu trabalho?

Kátia Ramires - De forma alguma. Minha flexibilidade é ótima. Jogo esportes com os alunos. Sempre pratiquei esporte, mas sempre fui gordinha. Fiquei obesa depois que meu filho nasceu, em 2008, mas meu peso nunca me impossibilitou de nada.

Você já tirou muitas licenças?

Em oito anos só tirei uma única licença, ao engravidar.

Como foi a perícia?

Me senti humilhada. O médico perguntou se eu sabia que ser obesa era causa de reprovação no concurso. Falei que eu tive filho há pouco tempo e ele me disse que eu ainda comia como [se fosse] gestante, que esqueci que o bebê já tinha nascido.

O que você fará agora?

Darei aulas na prefeitura e como professora contratada no Estado. O que mais me revolta é que fui a 38ª colocada em educação física na cidade de São Paulo no concurso.

Depois de bloquear ação, MST quer transfomar área da Cutrale em exemplo de reforma agrária

O movimento pretende agora ampliar as ações de denúncia de grilagem de terra pela empresa.
Por Rede Brasil Atual

São Paulo – A Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirma não haver surpresa na decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou o trancamento da ação movida contra integrantes da organização pela ocupação, em 2009, de fazenda no interior do estado. O movimento pretende agora ampliar as ações de denúncia de grilagem de terra pela empresa.

A decisão, tomada por unanimidade pelos integrantes da 3ª Câmara Criminal do tribunal, livra de acusação os participantes de ocupação ocorrida entre 28 de setembro e 7 de outubro de 2009. À ocasião, a destruição de pés de laranja em fazenda da produtora de sucos Cutrale ganhou amplo espaço na televisão, resultando em uma ofensiva contra o MST.


"Já sabíamos que haveria o trancamento porque é uma aberração a montagem que se fez em torno do episódio", afirma Gilmar Mauro, coordenador do MST. "Uma armação que qualquer investigação minimamente séria iria comprovar", acusa. Ele atribui a trama à Polícia Militar, a emissoras de TV e ao governo estadual de São Paulo.


A fazenda Capim, entre os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, está em terras da União, segundo o movimento. Ainda de acordo com o MST, desde o início do século XX, a área haviam sido destinadas à produção familiar mas vêm sendo utilizadas de maneira ilegal. A primeira ocupação do movimento no local foi realizada há 15 anos e, hoje, há 500 famílias assentadas naquelas terras. A empresa afirma ter documentos e escrituras que comprovam a posse da terra, o que, aliás, permitiu à Justiça proferir decisões de reintegração de posse à época.


“Queremos que o Estado faça sua parte para recuperar a posse da União, não só para obter o ressarcimento como para transformar em uma área avançada de reforma agrária. É uma região muito rica em água e, embora o solo seja bastante arenoso, é possível pensar em policultura, garantindo assim renda e desenvolvimento econômico”, pondera Mauro.


O coordenador do MST considera possível plantar frutas típicas do Cerrado, além de investir em criação de peixes e na produção leiteira, mas reclama que falta financiamento aos assentados daquela região. Ele alega haver resistência de empresários locais para a promoção de programas do gênero.


As imagens de derrubada de pés de laranja nas terras da Cutrale resultaram na abertura, no Congresso Nacional, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações e as finanças do MST. Além disso, em janeiro de 2010 foi desencadeada a Operação Laranja, da Polícia Civil paulista, que acusava membros dos sem terra de formação de quadrilha, furto qualificado e invasão de propriedade.


A acusação do Ministério Público, aceita em primeira instância, pedia a prisão temporária dos envolvidos na ocupação. Mas o Tribunal de Justiça, que já havia concedido liminar a favor do movimento, ratificou esta semana o entendimento de que, não havendo identificação do crime atribuído a cada um, é impossível promover-se uma condenação coletiva.


João Peres, Rede Brasil Atual

Jornalistas brasileiros são detidos, vendados no Egito e obrigados a voltar para o Brasil

Para serem liberados, os repórteres foram obrigados a assinar um depoimento em árabe, no qual, segundo a tradução do policial, ambos confirmavam a disposição de deixar imediatamente o Egito rumo ao Brasil.
 * Por Agência Brasil

Enviados para o Egito para a cobertura da crise política no país, o repórter Corban Costa, da Rádio Nacional, e o repórter cinematográfico Gilvan Rocha, da TV Brasil, foram detidos, vendados e tiveram passaportes e equipamentos apreendidos. Desde quarta-feira (2) à noite até esta manhã, Corban e Gilvan ficaram sem água, presos em uma sala sem janelas e com apenas duas cadeiras e uma mesa, em uma delegacia do Cairo.
“É uma sensação horrível. Não se sabe o que vai acontecer. Em um primeiro momento, achei que seríamos fuzilados porque nos colocaram de frente para um paredão, mas, graças a Deus, isso não aconteceu”, afirmou Corban, que volta hoje (4) com Gilvan para o Brasil.
Para serem liberados, os repórteres foram obrigados a assinar um depoimento em árabe, no qual, segundo a tradução do policial, ambos confirmavam a disposição de deixar imediatamente o Egito rumo ao Brasil. “Tivemos que confiar no que ele [o policial] dizia e assinar o documento”, contou Corban.
No caminho da delegacia para o aeroporto do Cairo, Corban disse ter observado a tensão nas ruas e a movimentação intensa de manifestantes e veículos militares nos principais locais da cidade. Segundo ele, todos os automóveis são parados em fiscalizações policiais e os documentos dos passageiros, revistados. Os estrangeiros são obrigados a prestar esclarecimentos. De acordo com o repórter, o taxista sugeriu que ele omitisse a informação de que era jornalista.
Há dez dias, o Egito vive momentos de tensão em decorrência de onda de protestos contra a permanência de Hosni Mubarak na presidência do país. A situação se agravou ontem, depois que manifestantes pró e contra o governo se enfrentaram nas ruas das principais cidades egípcias.
De acordo com as Nações Unidas, até agora, mais de 300 pessoas morreram nos confrontos e cerca de 3 mil ficaram feridas.

  Renata Giraldi 

Manifestantes protestam contra aumento da tarifa de ônibus em SP

Grupo se reuniu no vão livre do Masp na tarde desta quinta-feira (3).
Passagem de ônibus subiu de R$ 2,70 para R$ 3 na capital paulista.

Roberta Steganha Do G1 SP
Um grupo de pessoas se reuniu no fim da tarde desta quinta-feira (3) no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus na capital paulista. Os manifestantes pretendiam caminhar até  (Foto: Roberta Steganha) 
Um grupo se reuniu no fim da tarde desta quinta-feira (3) no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus na capital paulista, que subiu de    R$ 2,70 para R$ 3. Os manifestantes pretendiam caminhar até a sede da Prefeitura de São Paulo, no Viaduto do Chá, Centro. Por volta das 18h, o protesto não atrapalhava o trânsito na via.
(Foto: Roberta Steganha)
 
Grupo aproveitou para demonstrar apoio aos protestos no Egito pela renúncia do presidente Hosni Mubarak (Foto: Roberta Steganha)Grupo reunido na Avenida Paulista aproveitou para demonstrar apoio a protestos no Egito que pedem a renúncia do presidente Hosni Mubarak (Foto: Roberta Steganha)

O grande jogo de Barack Obama

O grande jogo proposto pelo governo Obama, para o mundo pós-Iraque e pós-Afeganistão, aponta na mesma direção da década de 1970, só que com o sinal trocado. Agora se trata de uma proposta de aliança estratégica com a Rússia, que bloquearia a expansão chinesa na Ásia, mas que também envolverá algum tipo de apoio ou “convite” ao desenvolvimento do capitalismo russo, bloqueado pelo seu excessivo viés “primário-exportadora”. O projeto de Obama pode revolucionar a geopolítica mundial, mas também pode ser atropelado – entre outras coisas - pelas eleições presidenciais que ocorrerão nos EUA e na Rússia, em 2012. O artigo é de José Luís Fiori.
Nos últimos dois meses de 2010, o presidente Barack Obama tomou decisões e obteve vitórias internacionais que poderão mudar radicalmente a geopolítica mundial do século XXI. Graças à intervenção direta do presidente americano, a reunião da OTAN, em Lisboa, no mês de novembro, conseguiu aprovar um “Novo Conceito Estratégico” que define as diretrizes da organização para os próximos dez anos, com a previsão de retirada de suas tropas do Afeganistão, até 2014, e com decisão de instalar um novo sistema de defesa antimísseis da Europa e dos EUA, com a possível inclusão da Rússia e da Turquia, apesar da resistência do governo turco a cooperar com os países que estão obstaculizando sua entrada na UE.

Esta vitória parcial do governo Obama, se somou à aprovação pelo Congresso americano, em dezembro, do acordo bilateral de controle de armas atômicas, que havia assinado com o presidente Dmitry Medvedev, no mês de abril, e que foi ratificado pelo parlamento russo, poucos dias depois de sua aprovação pelo Senado dos EUA. Estas iniciativas enterram definitivamente o projeto Bush de instalação de um escudo balístico na fronteira ocidental da Rússia, e aprofundam as relações entre as duas maiores potências atômicas mundiais, desautorizando a mobilização anti-russa dos países da Europa Central, promovida e liderada atualmente, pela Polônia e pela Suécia.

Neste mesmo período, no Oriente Médio, o presidente Obama aumentou sua pressão contrária à instalação de novas colônias israelenses em território palestino, e diminuiu a intensidade retórica de sua disputa atômica com o Irã, sinalizando de forma discreta, a disposição para um novo tipo de acomodação regional. Como ficou visível, com o acordo político que permitiu a formação do novo governo iraquiano do premier Nuri al Maliki, com a intervenção do Irã e com o apoio dos EUA, apesar de que Maliki não fosse o candidato preferido dos norte-americanos. E provavelmente, a crise atual do governo libanês só terá uma solução pacífica e duradoura, se envolver, de novo, um ajuste de posições e interesses entre os EUA e o Irã, mesmo que ele seja informal e não declarado. Clique aqui e continue lendo a matéria.

O Egito é o fiel da balança dos países árabes

* 03 de fevereiro de 2011 – da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha

No primeiro dia de fevereiro, cerca de um milhão de pessoas protestou no Cairo, capital do Egito, exigindo a renúncia do ditador travestido de presidente, Hosni Mubarak. Quando este admitiu não vir a concorrer à reeleição em setembro, abriu uma leva de possibilidades para os árabes. O tabuleiro do Oriente Médio e do Norte da África não será mais o mesmo após este dia.
Como se sabe, os ventos da rebelião de multidões compostas em sua maioria por jovens com pouca ou nenhuma perspectiva, tiveram seu começo em manifestações na Tunísia. O perfil dos países árabes é, em perspectiva, muito parecido. Todos têm uma massa de população carente de direitos fundamentais; vêem a seus governos como corruptos, repressivos e ineficientes; a atividade econômica é retraída ou estagnada e, segundo o ponto de vista das oposições, são todos aliados ou tolerantes com o Estado de Israel. Neste quesito, Egito e Jordânia excedem a média, pois assinaram tratados de paz com o inimigo histórico e, por isso mesmo, são vistos como traidores por seus pares.

Há que ser justo na análise e reconhecer que as mazelas dos árabes não são apenas de ordem imperialista ou de política externa. O Estado de Israel, durante o período da Guerra Fria, servira como pólo aglutinador da região, unificando em discurso pan-árabe e antiimperialista, a regimes dificilmente defensáveis sob qualquer ponto de vista. Mas, se já não era fácil unificar o discurso pan-arabista em torno do chauvinismo do partido militar nacional árabe (baath) e suas ditaduras familiares – como os Hussein no Iraque e os Assad na Síria – como fazer isso hoje? No caso egípcio, de que forma assegurar a legitimidade de um governo títere dos EUA e repressor para a maioria dos cidadãos?

A primeira resposta veio das ruas e as conseqüências dependem ainda de acertos e correlações de força. Se por um lado os protestos têm uma iniciativa de tipo espontânea, por outro, quem acumula forças é a Coalizão Nacional para a Mudança, onde se inclui para além da figura visível do “ponderado” Mohamed ElBaradei, a muito respeitada Irmandade Muçulmana. Qualquer que seja a composição de governo haverá de levar em conta os integristas, o que implica em alguma revisão de posturas atuais como o tratado de paz com Israel, o tema dos controles de fronteira da Faixa de Gaza e o Sinai, isto sem falar no acesso ao Canal de Suez. Já não cabem dúvidas. Vem aí uma nova onda de políticas anti-ocidentais no mundo árabe.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Professores municipais só iniciarão ano letivo após reajuste salarial

Em assembléia realizada na manhã de hoje, 01, no auditório da APLB/Sindicato, professores e professoras da rede municipal, reafirmaram que iniciarão o ano letivo após o reajuste salarial, proposta aprovada por unanimidade na assembléia de dezembro de 2010. A categoria reivindica a aplicação do índice de 37,64% de reajuste salarial e correção das perdas.Além da reivindicação pelo reajuste salarial, a categoria também reivindica convocação de Concurso Público, Condições Dignas de Trabalho e Saúde do Trabalhador, Perícia Médica, Eleição direta para Diretor e Vice-Diretor, Segurança nas Escolas, Transporte Escolar, centralizar o Programa Nacional de Alimentação Escolar suspendendo a terceirização, Políticas permanentes de valorização dos Profissionais da Educação, dentre outras.
No próximo dia 7, mais de um milhão de alunos da rede pública estadual retornam às salas de aula, na Bahia. Para recebê-los, todas as 1.550 escolas, espalhadas pelos 417 municípios do estado, foram reformadas para viabilizar estrutura física adequada e um ambiente aprazível aos estudantes, professores e demais funcionários. 

Fonte: Zenilton Meira


Uesb oferece bolsas de Assistência Estudantil

* Por Flávia Mota

A Uesb não se preocupa apenas com a entrada dos estudantes na Instituição, mas preza também por uma permanência de qualidade dos seus discentes. Por isso, são oferecidas à comunidade acadêmica Bolsas Auxílio Moradia, Alimentação e Transporte, que fazem parte do Programa de Assistência Estudantil (PAE/UESB).

As inscrições para seleção de candidatos às bolsas estarão abertas no período de 14 de fevereiro a 14 de março. Podem se candidatar ao benefício estudantes regularmente matriculados em cursos presenciais de graduação da Universidade, dos campi de Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga, que sejam comprovadamente carentes de recursos econômicos, com comprovação de renda média familiar igual ou inferior a um salário mínimo.


Para efetuar a inscrição, os interessados devem se dirigir à Gerência de Assistência e Assuntos Estudantis (GAE), no campus de Vitória da Conquista. Em Jequié, os alunos devem procurar a Coordenação de Extensão (COEX/CAP) e em Itapetinga, a Assessoria Acadêmica de Itapetinga (ACADIT). O horário de funcionamento desses setores é das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas.


Para conferir a documentação exigida e outros detalhes sobre a seleção, acesse o Edital 009/2011. Em caso de dúvidas, entre em contato com a GAE, através do telefone (77) 3424-8657; em Jequié, o contato é (77) 3528-9693; e em Itapetinga, (77) 3261-8604. 

Fonte: Portal da UESB

APESAR DE VOCÊS, AMANHÃ HÁ DE SER OUTRO DIA... PARA BATTISTI!

   
O Brasil é maior do que aqueles que brincam com o fogo de uma crise institucional


O Caso Battisti terminou em janeiro de 2009, quando o Governo brasileiro decidiu que havia motivos suficientes para conceder ao escritor italiano o direito de residir e trabalhar em nosso país. Cumpriu o papel dos governos, que têm os meios e ferramentas para verificar, no exterior, quem persegue objetivos políticos e quem não passa de um bandido em pele de idealista. O Judiciário não tem esses meios. Acabará se fiando, sempre, na palavra de governos interessados em repatriar pessoas, por motivos justos ou injustos.

Ou seja, a razão de estado tende a invariavelmente prevalecer sobre os direitos individuais, pois os juízes vão se basear nas sentenças condenatórias que têm em mãos e sua propensão é a de acreditarem na decisão tomada por seus congêneres do outro país. Seria a revogação, na prática, do instituto do refúgio.


Aqueles que descartaram até a mera discussão da sentença italiana de Battisti, querendo fazer-nos crer que se tratasse de uma espécie de
tábua dos dez mandamentos, foram, curiosamente, os mesmos que contestaram o entendimento cubano de que o célebre Orlando Zapata não passava de um preso comum. Um julgamento fraudado da Itália estaria acima de qualquer suspeita, mas as razões de Cuba eram desconsideradas de pronto.

No entanto, salvo fazendo uma distinção apriorística, ideológica, entre os dois países, um Cezar Peluso da vida, a partir da documentação cubana e aplicando os mesmos critérios que utilizou no Caso Battisti, concluiria necessariamente que Orlando Zapata não passava de um mero delinquente. [Eu sou coerente: desde o primeiro momento reconheci os dois como perseguidos políticos.]
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O fator Irmandade Muçulmana


A Irmandade Muçulmana gera medo pânico em todo o ocidente, porque o governo de Mubarak sempre apresentou os “irmãos” como se fossem idênticos à al-Qaeda. Não há sandice maior. A organização opõe-se completamente a qualquer tipo de violência contra civis – o que a põe em campo absolutamente oposto à al-Qaeda. Uma Irmandade Muçulmana que refute a violência e seja ativa nas políticas civis no Egito pode ser o melhor antídoto contra os fanáticos à moda al-Qaeda. Por outro lado, não parece haver dúvidas de que – com a Irmandade Muçulmana participando do governo do Egito – o tratado de paz com Israel será renegociado.  O artigo é de Pepe Escobar.
Um milhão em marcha pelas ruas do Cairo nessa 3ª-feira, outro milhão em marcha rumo ao palácio presidencial em Heliópolis na próxima “6ª-feira da Partida”. O principal graffiti – escrito também nos tanque Abrams cor caqui, fabricados nos EUA – ainda é “queremos derrubar o sistema”. O exército parece ter escolhido lado, afirmando sempre que “não recorreremos ao uso da força contra nosso grande povo egípcio”.

Com o preço do barril de óleo ultrapassando a barreira dos US$100 pela primeira vez desde setembro de 2008; o medo cada vez maior de que se interrompa o fluxo de petroleiros pelo Canal de Suez; bancos, escolas e a Bolsa de Valores fechados; comitês populares encarregados da segurança da cidade; policiais queimando os próprios uniformes e unindo-se aos manifestantes; e piquetes de ativistas, manifestantes e blogueiros escrevendo furiosamente em bancadas e bancadas de laptops para distribuir notícias ao mundo (antes de o governo do presidente Hosni Mubarak ter “valentemente” derrubado o último provedor de serviços de internet que ainda funcionava), a revolução egípcia parece aproximar-se do último tempo do jogo.

A estratégia do Faraó e de seu “sucessor” Omar (o “torturador suave”) Suleiman é usar o exército para intimidar, e depois demonstrar que a rua só conseguirá tingir de sangue o Nilo. Não me parece provável. Mas, sim, essa ditadura militar cruel fará qualquer coisa para manter-se agarrada ao poder. Clique aqui e continue a leitura.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Produzir e consumir em harmonia com a natureza

Viver em harmonia com a natureza é ter compromisso e responsabilidade tanto com as gerações atuais e com todos os seres vivos, sobretudo aqueles mais desprotegidos e excluídos, como também com as futuras gerações.
     Sobre esse tema, que será amplamente debatido durante a Campanha da Fraternidade 2011, conversamos com Euclides André Mance.


Euclides André Mance,
do Instituto de Filosofia da Libertação e do Portal Solidarius, Curitiba, PR.
Endereço eletrônico: euclidesmance@yahoo.com
Site: www.solidarius.com.br

Mundo Jovem: O que está acontecendo com o nosso planeta atualmente?
Euclides André Mance: Em dois bilhões de anos a natureza foi diversificando a vida complexa, gerando uma grande biodiversidade em todo o planeta. A emergência da espécie humana faz parte desse percurso. O nosso coração que bate é parte da natureza. O sangue que circula pelo nosso corpo é parte da natureza. Mas o capitalismo converteu a natureza em capital natural. Converteu a vida em algo que deve gerar lucro, para que alguns possam acumular mais riquezas, não se importando se o equilíbrio dos ecossistemas está sendo degradado.
     Essa lógica de negação da dimensão natural da existência humana, essa cultura de subordinar a vida à acumulação de capital levou a um processo de degradação dos ecossistemas em todo o planeta. Milhares de espécies estão sendo extintas. A vida humana está sendo ameaçada. Mais de um bilhão de pessoas passam fome no mundo e as tecnologias insustentáveis continuam a se desenvolver de forma cada vez mais danosa aos ecossistemas.

Mundo Jovem: Podemos afirmar que vivemos uma crise ecológica?
Euclides André Mance: Exatamente. E precisamos compreender, em primeiro lugar, que a nossa vida depende do ar que a gente respira, depende da água que a gente bebe, depende da comida que nos alimenta e que se transforma em nosso sangue, em nosso corpo. Sem essa percepção de que somos parte da natureza, não haverá solução para a crise ecológica.
     Em segundo lugar, é necessário superar a lógica econômica que reduz a natureza a um recurso a ser explorado como capital natural. A vida que, durante dois bilhões de anos veio se diversificando, se sustentando e se reproduzindo em tantas formas diferenciadas, corre o risco agora, em algumas décadas, de marchar para a extinção de milhares de espécies devido aos impactos do desenvolvimento tecnológico insustentável nos ecossistemas, com o efeito estufa, com as chuvas ácidas, com toda a degradação do solo, com o progressivo esgotamento de ciclos naturais autopoiéticos (que se sustentam).

Mundo Jovem: Que alternativas temos?
Euclides André Mance: É fundamental praticar um outro tipo de consumo e de produção, que sejam sustentáveis. É a relação solidária entre as pessoas para o bem-viver de todos que deve dar sentido e limite à consumação das coisas e à proteção dos ecossistemas. Os produtos e serviços devem ser compreendidos como meios materiais para a realização do bem-viver. Não se trata de consumir para ostentar poder. Mas de consumir para realizar o bem-viver das pessoas e coletividades, em equilíbrio e harmonia com os ecossistemas.
     A economia solidária é uma alternativa, pois ela é economicamente viável, socialmente justa e ecologicamente sustentável. É preciso modificar a forma de consumo. Parar de consumir produtos que são tecnologicamente danosos ao planeta. Quando nós compramos um produto da economia solidária, a riqueza gerada vai ser distribuída entre os trabalhadores, em empreendimentos que não têm nem patrão, nem empregado. E esses valores vão ser utilizados para promover o bem-viver dos trabalhadores e consumidores, das comunidades, das pessoas, de modo tal a assegurar a vida de cada um e o direito à felicidade.Continue a leitura, clicando aqui.

A DIREITIZAÇÃO AVANÇA NA USP: PRIVATIZAÇÃO, RETROCESSO E ARBÍTRIO

Cinco dos mais eminentes professores da Universidade de São Paulo advertem que a ofensiva da direita, por meio de medidas arbitrárias, abusivas, grotescas e respaldadas pelo entulho ditatorial, está levando a instituição ao caos.
Subescrevo e reproduzo na íntegra esta manifestação de inconformismo diante de mais uma recaída autoritária.
 
Resistir é preciso. Sempre!

 A USP CONTRA O ESTADO DE DIREITO
"Um estatuto que permanece intocado mesmo após o fim do regime militar e um reitor que tem buscado a qualquer custo levar a efeito um projeto privatizante estão conduzindo a USP ao caos.

Após declarar-se pelo financiamento privado e pela reordenação dos cursos segundo o mercado, o reitor vem instituindo o terror por intermédio de inquéritos administrativos apoiados em um instrumento da ditadura (dec. nº 52.906/ 1972), pelos quais pretende a eliminação de 24 alunos.
...ultimamente ficou assim (quase igual).
Quanto aos servidores, impôs, em 2010, a quebra da isonomia salarial, instituída desde 1991, e, para inibir o direito de greve, suspendeu o pagamento de salários, desrespeitando praxe institucionalizada há muito na USP.
Agora, em 2011, determinou o "desligamento" de 271 servidores, sem prévio aviso e sem consulta a diretores de unidades e superiores dos "desligados". Não houve avaliação de desempenho. Nenhum desses servidores possuía qualquer ocorrência negativa. As demissões atingiram técnicos na maioria com mais de 20 anos de serviços prestados à universidade.
O ato imotivado e, portanto, discriminatório, visou, unicamente, retaliar e aterrorizar o sindicato (Sintusp), principal obstáculo à privatização da USP desde a contestação aos decretos do governo Serra, em 2007. Mas o caso presente traz outras perversidades.
Todos os demitidos já se encontravam aposentados, a maioria em termos proporcionais.
Na verdade, foram incentivados a fazê-lo por comunicação interna da USP, divulgada após as decisões do STF (ADIs nº 1.721 e nº 1.770), definindo que a aposentadoria por tempo de contribuição não extingue o contrato de trabalho.
A dispensa efetivada afrontou o STF e configurou uma traição ao que fora ajustado, chegando-se mesmo a instituir um "Termo de Continuidade de Contrato em face da Aposentadoria Espontânea".
Nem cabe tentar apoiar a iniciativa no art. 37, parágrafo 10, da Constituição, que prevê a impossibilidade de acumular provento de aposentadoria com remuneração de cargo público, pois esses servidores eram "celetistas", ocupantes de empregos públicos, e suas aposentadorias advinham do Regime Geral da Previdência Social, e não de Regime Especial. Clique aqui e continue a leitura.

Paulo Freire, o libertador

* Por Max Milliano Melo

Do Correio Braziliense

O pernambucano revolucionou a educação, que deixou de ser a simples transmissão de conteúdo para ser encarada como uma forma de transformação da vida. Sua obra influenciou especialistas do mundo todo, principalmente nos países mais pobres.

Para o que serve a educação? Para ler corretamente? Para contar sem errar? Para escrever sem dificuldade? Muita gente pode achar que é apenas para isso, mas Paulo Freire acreditava que a educação servia para muito mais. Para ele, mais que entender como somar, dividir ou decodificar os sons das letras, na escola se deveria ganhar o passaporte para a dignidade. Fundador da pedagogia da libertação, o filósofo e pedagogo pernambucano entrou para a história como o fundador de uma nova linha de pensamento em que lápis e livros tomam o lugar das ferramentas na luta por uma vida melhor.

Nascido em uma família de classe média de Recife, em 19 de setembro de 1921, Paulo Reglus Neves Freire poderia ter levado uma vida de conforto, protegido dos males do mundo. No entanto, quando tinha 8 anos, a crise desencadeada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, que levou ao período de depressão da década de 1930, apresentou ao menino bem nascido uma realidade comum a muitos brasileiros: a fome. Dizem que as experiências vividas na infância são para a vida toda. Com o garoto Paulo não foi diferente. Mesmo com a recuperação da economia, que levou sua família de volta à classe média, as marcas ficaram no seu modo de pensar.

Ao se formar em direito, pela Universidade de Recife, em 1946, o pensador decidiu que não seguiria a carreira. Decidiu tornar-se educador em uma escola de ensino médio na periferia da cidade. Por se destacar como docente, acabou sendo nomeado chefe do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social de Pernambuco, cargo que lhe possibilitou realizar suas primeiras experiências na alfabetização de jovens e adultos. "Até então, tudo que se tinha na área pedagógica era voltado para crianças, enquanto o número de adultos analfabetos no país só crescia e nenhum política era elaborada para esse público", lembra Maria Madalena Torres, educadora popular do Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia.

Diante dessa realidade, o pernambucano iniciou os primeiros programas educacionais do país voltados exclusivamente para adultos. O resultado foi tão bom que, em 1961, Freire foi nomeado chefe do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife e, no ano seguinte, desenvolveu um de seus trabalhos mais marcantes: criou um método que permitiu alfabetizar um grupo de 200 cortadores de cana-de-açucar em apenas 45 dias.

A experiência bem-sucedida com os cortadores resultou no que é conhecido hoje como Método Paulo Freire. "Apesar do nome, não se trata de um método e sim de um complexo sistema no qual a educação é instrumento de desenvolvimento do adulto", conta Maria Madalena. O diferencial do instrumento freiriano foi aproximar educadores e metodologia da realidade do aluno, aumentando o interesse dos educandos e diminuindo drasticamente a evasão escolar, um dos principais problemas da educação de jovens e adultos (EJA) até hoje. Clique aqui e continue a leitura.